Tenho o hábito de dizer e acreditar que o homem é descartável, enquanto homem, entendendo ser o mundo das mulheres, e desse dito tenho colhido uma diversidade de opiniões, a permitirem interessante leitura do pensamento de quem as emite e da sua postura como ser humano plantado nesta bolinha azul.quinta-feira, 24 de junho de 2010
MÃES
Tenho o hábito de dizer e acreditar que o homem é descartável, enquanto homem, entendendo ser o mundo das mulheres, e desse dito tenho colhido uma diversidade de opiniões, a permitirem interessante leitura do pensamento de quem as emite e da sua postura como ser humano plantado nesta bolinha azul.terça-feira, 22 de junho de 2010
O FEIJÃO
Estar enamorado após um campeonato de vida esgotante como o meu, é algo de estranho, inquietante, talvez mesmo irreverente ou herético, por anti natura.
Porventura estas coisas parecem suceder por artes que ultrapassam qualquer mente, a confirmar o dito de que não se acredita em bruxas mas elas existem.
E o problema em questão, neste meu caso de mente racional, é tentar espartilhar amizade e amor, observando suas raízes, causas e efeitos.
Porque sim, não me enamoro dos amigos, a quem toco, abraço e beijo e deles necessito da indispensável reciproca.
Todavia o amor é por certo coisa mais intima, a pretensão louca e também irreverente de desejar unificar dois seres, fundi-los em entrega universal e ainda fantasia mental, imaginando ser o outro aquilo desejaríamos fosse, capaz de ser capaz de trocar confidências e aberturas de alma, nem ao diabo consentidas.
E porventura a fantasia persiste, mesmo sem troca ou retorno que, a existir, complica, exacerba-se e as travessuras agudizam-se, surgindo perversos mirones que minam a relação, tais como a duvida, ciume, exclusividade, dependência, obsessão, enfim um longo séquito de malvados destruidores do afecto e da ternura.
Mas, feitas as devidas cedências, poderá suceder que esse amor então biunívoco se funda e crie uma única peça sólida e duradoura, situação quiçá rara e, não crendo nela, tenho de acreditar que existe, como no caso das bruxas.
Por mim, vou amando o amor, fantasiado, talvez por não partilhado, chegando à conclusão que o facto de não ser retribuído é a garantia de final feliz, uma vez que ao outro não é assim permitido desmentir ou desnudar a elaborada fantasia.
Ah, porquê o feijão ?
É o amuleto de dois dias em que colhi laivos de felicidade na companhia de alguém que amei (por engano) na plenitude e ingenuidade da minha fantasia.
É branco e sempre que o toco, revejo em paz esses momentos e retomo, por instantes, essas gotas de felicidade antes vividas.
Não deixem, sempre que possam, de guardar o vosso feijão.
Então isto não merece flor ?
Claro, claro, é um texto louco, mas de amor.
Ai fica.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
DORMIR
Contudo essa entrega e abandono, neste meu caso, baseia-se essencialmente no abandono simultâneo do outro ser, naquela cena do dar e receber, na fusão da troca.
Porventura, houvesse espaço, colocaria aqui um montão de flores.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A TRAVESSIA
Para trás ficou o penoso percurso.
Montanhas, desertos e mares, suas tempestades e bonanças e os amargos sabores da conquista e da derrota.
Para além do fosso o horizonte difuso a esconder o desconhecido, quiçá disfarçando o nada.
Balanceada, aproxima-se a barca e, como figura de proa, altaneira, negra e sinistra a ceifeira.
Seguir-se-á atracagem, chamada e o desejo de constar da listagem e, quem sabe, posto o pé na barca, a esperança que se esvaiam as boas e más memórias, conquistando finalmente a liberdade..
Terei de embarcar, se não por mérito no menos por ter de ser, recebendo então carta de alforria que permitirá não retornar, ao invés do que muitos acreditam e anseiam.
Ou talvez de coração e também merece a flor. Porque não ?
segunda-feira, 31 de maio de 2010
MEIO HOMEM/MEIO CÃO
Sem que essa atitude do cão me fosse hostil, esforcei-me na adaptação, até porque aprecio a sua forma de levar a vida pela vida, no aqui e agora, borrifando-se no amanhã, que certamente nem pela cabeça lhe passa, e no implícito futuro que o humano não dispensa nas suas lucubrações.
Tem ele assim a grande vantagem de elidir problemas de angustia de fantasias projectadas não realizadas e na sua maioria não realizáveis.
Consegue também essa coisa mágica de não deixar atulhar o baú das memórias, retendo apenas algumas ou até substituindo-as por reflexos pavlovianos de preferência virados apenas à sua sobrevivência e subsistência, contrariamente ao homem que sedimenta e acumula as suas memórias também na maioria, por excesso ou carência, geradoras das depressões tão em moda, com seu cortejo de amargura, culpa e desespero, conhecidos corrosivos da tal de felicidade que todos buscam e poucos encontram.
Diz o povo que burro velho não aprende e, se o povo tem razão, bem feito estou, pois tarde iniciei esta aprendizagem e terei de acrescentar não ser pêra doce, em face dos seculares maus hábitos de que nos temos vindo a apaparicar.
Ainda pouco faladro e confesso isso não tem sido empecilho na minha aprendizagem, retendo bem pela observação e aqui vou confessar também algumas dificuldades ou fáceis adaptabilidades:
DESAPEGO: Usa por empréstimo, utiliza e larga, pois se, por acaso, o amanhã existir, tudo lá estará e, quem sabe, porventura surgirão outros empréstimos mais aliciantes.
Fórmula simples de eliminar a amargura da posse e sua fastidiosa conservação.
AFECTOS: Fácil a minha adaptação pois já antes ia pelo exagero.
Ternura, carência de afagos, pieguice, avidez ao toque, brincadeiras e outras mariquices, lembrando as crianças, tempo virtuoso do percurso humano.
Os meus pares, adultos circunspectos, olham-me com alguma critica e complacência, o que pouco me incomoda pois o tempo de engolir sapos já lá vai.
ALIMENTOS: Não sei bem como superar esta, mas creio que no final algumas faltas ou cedências terão de ser desculpadas. Não gosto decididamente de comer e ele, além da imposta ração, ou até pela imposição, devora, quiçá em provocação, tudo que lhe convém ao cheiro.
CHEIRO: Ah, cheira e recheira. É fenomenal. Aqui muito desejo adaptar-me porventura por ser um dos sentidos do meu agrado, tanto como o do toque.
Tenho feito algumas tentativas, quando a confiança dos meus pares mo permite.
Certamente reprovaria se dependesse de exame.
Diria que para ele qualquer cadela lhe serve, se pudesse era actividade quase constante, e, para mim, é agradável memória que, por vezes e com razoável êxito, trago à prática desde que não haja demasiada exigência e sempre, obrigatoriamente, envolta num poderoso ramalhete de indispensáveis e complementares afectos.
MARCAR TERRITÓRIO: Actividade tão usual nele. Faladrou-me ser o seu modo de garantir que não conspurcam locais onde ele já teve alguma felicidade.
Aceito. Todavia continuo a usar o asseio e a intimidade da casa de banho, local onde a parcela de felicidade se limita ao alívio natural do esfíncter e de forma alguma preenche memória futura.
DESCANSO: Bom ! Deitarmo-nos em descontracção muscular, sobre qualquer zona, de preferência relvada e esvaziar o cérebro. Bom… nem tenho palavras.
Nem os meus pares sabem o que perdem quando deambulam nas grandes urbes apressadamente, para cá e para lá, como seres estonteados que não conhecem o rumo e simultaneamente carregam as suas baterias dos tóxicos envolventes.
E assim, esperançado que o cão perdoe a minha inépcia e me dê algum ânimo, lá vou persistindo, aluno satisfeito e assíduo.
O meu esforço é verdadeiro e até talvez consiga merecer ser cão por inteiro
Para já, estou satisfeito e desde que me afaguem com carinho, é garantido, não mordo.
Reparei agora que, contra meu hábito, espalhei-me aqui pelo teclado (outra coisa que o cão tem a sorte de não usar) e já vou nas 799 palavras, o mais extenso dos meus textos (ressalvem o lapso se me enganei, mas não conto outra vez).
Nem já paciência tenho para fazer revisão, pelo que isso sim, perdoem lá qualquer coisinha.
Ia pedir desculpa aos eventuais leitores. Lembrei todavia que conversa de louco a poucos interessa e os poucos, muito poucos, interessados, por esta altura já estarão a dormir.
Mesmo que sim, desejo boa noite e espero tenham tomado a medicação.
Já esquecia: como amo aquele cão, sem duvida isto é de amor, tem de levar flor
quinta-feira, 27 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Fugas
Desesperadamente continuo a tentativa de fuga, porventura para a frente.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Viagens
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Dizeres/entenderes
Estou a recordar a história do encontro de amigos (um cego, outro paralítico):
Diz o cego: Então ? Como andas ?
Olha, é como vês, responde o outro.
Porventura é suposto conter humor do mais negro, penso eu, mas a perversa da malícia faz sorrir o ateu e dá calor à conversa, tudo entendido sem agravo ou ofensa, por conter outro sentido.
E também o olá, bom dia, não vale um caracol se o dia não for de sol.
Diz-se e ninguém ouve, sendo uma espécie de mania ou etiqueta da treta, para algo se dizer e mal não se parecer.
Mas hoje não quero ir por aqui, pois se me distraio derrapo e acabo feito trapo, sem saber o que escrever que de resto é mais do mesmo.
Quando leio que alguém tem bom coração, tenho por força de saber, do autor a profissão.
Se da saúde for profissional, fica coisa directa e bem banal: é coração de bom músculo a cumprir sua missão, mantendo a circular o liquido vital.
Se psicólogo, padre ou bom cristão, levo a coisa pro amor, compaixão ou piedade, temas que são do espírito e da personalidade e terão de ver com a mente ao invés do coração
Enfim, não quero gerar confusão por tão pouco, embora sempre tenha a desculpa do louco.
Por favor, tenham bom coração, levem isto pro humor.
Assim sendo. é amor e, como é de preceito, merece flor.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Outros afectos
Não podia estar melhor pois toda a gente gosta de ser coçada, foi a resposta pronta e insólita.
Acreditei no homem e na extensão do dito a outras espécies, pois até o cão, aquele amigo que com frequência visito, meu companheiro de descanso ali em baixo, não despreza e até pede esses afagos coçarentos.
Pacifica-se, aquieta-se, abandona-se e fecha os olhos deliciado.
Ora como isto dos afectos, pelo meu ponto de vista, carece de troca e não imagino aquela patorra unhenta na minha pele sensível, pergunto-me onde estará meu quinhão e concluo que o gozo provem e é proporcional à aceitação e gozo dele, vindo a troca de forma diversa.
Não é fácil a conversa.
Ainda não ladro em perfeição e não tem ele estudos linguísticos, dada a tenra idade, pelo que nos limitamos, ressalvadas pequenas e honrosas tentativas, à comunicação do silêncio.
Aí temos o precioso auxilio dos olhos, toque e atitudes, artífices eficazes da repousante e compensatória conversa silenciosa, coisa que não se obtém nesta web onde se perdem virtudes na sua virtualidade e se promovem afectos sem virtudes.
Se isto é de amor, eis a flor !
segunda-feira, 22 de março de 2010
Amigos
quarta-feira, 17 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Asas
sábado, 6 de março de 2010
O peso da palavra
No jardim, em velho banco e à sombra amiga da árvore, tentei saber da causa de tal fadiga.
Entre as leves palavras de candura, ternura e com nome de flores, encontrei algumas pintadas de horrores, muito pralém da amargura, por ter ensacado a eito, sem critério na escolha ou algum jeito.
Aproveitei o remanso do momento de descanso, e, neste meu modo de louco, meditei um pouco.
Afinal as palavras tem peso, tal como as pedras, e, tal como elas, podem ser usadas das maneiras mais diversas, de formas ousadas, fagueiras ou perversas, sendo a mais gravosa o arremesso, pois uma vez atiradas ou proferidas não é possível emendar a mão, mesmo estejam prenhes de razão as desculpas emitidas.
Subsiste porém diferença.
A pedra, quando acerta na cabeça, resolve de vez o problema e, na palavra, surge o dilema: o visado pouco se rala e nisso nem fala, ou, ao invés, sente a pancada e aquilo funciona como trovoada, indutora de tensões e, em muitos casos, provocando depressões.
Fico grato por este aviso a creditar-me um pouco de juízo.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O ABRAÇO
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
CARDUME

O cardume, exemplo de disciplina táctica no interesse da subsistência e sobrevivência do grupo, em que cada individuo conhece e cumpre a sua função, sem hesitar ou discutir.
Outro exemplo diria, que o homem geralmente não segue, sobrepondo o interesse pessoal ao da espécie
Quanto aos peixes, mesmo que o impulso do instinto advenha, estamos perante um acto de amor e assim indiscutivelmente merecem a flor.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
As vestes da alma
Tem o conceito de fidelidade uma abrangência universal com raiz centrada na confiança.Todavia, nessa matéria e em coisas de amor, compreender os humanos é missão impossível, talvez porque funcionam no contraditório, negando aquilo que anseiam e aceitando o que antes negaram.
Venho questionando, quando posso, o que entendem por traição no amor e a diversidade das respostas, valendo o que valem, cria um leque cujos limites vão, desde a entrega física a outrem, até ao simples pensamento, tão distintos entre si e na sua essência apenas representam diferentes sensibilidades de mão dada com evidente falta de diálogo e aceitação do outro.
Daqui resulta que nem mesmo em relações de comunhão e plena intimidade não é garantido nem está presente o encontro, aí onde se despem mas raramente se desnudam.
Tocam-se e abraçam-se, fundem-se, sem libertar a alma das vestes e grilhetas da memória, esse negro rio onde por vezes correm águas turbulentas do passado que, muito embora não voltem a correr, corroem o presente permitindo comparações e confrontos.
Entretanto, e apesar disso, supremo engano, são capazes de afirmar que se amam.
Ai, quem me dera voar.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Convidados

Sendo a vida vai e vem, bem certo é que cada um vai desejando aquilo que não tem.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Amor perfeito
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Valeu a pena
Dei com este trecho que postei faz anos e aqui deixo o LINK
É sem duvida de amor pelo que em devido tempo virei deixar a flor.

O prometido é devido
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Duas flores
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
simetrias
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Brumas
Se é por bem, assim seja.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Pomba branca
Certo dia encostei meu ouvido ao teu peito e senti o tic-tac do pequeno grande coração. Perguntaste então, lá do alto da tua candura, se todos os corações batiam ao mesmo tempo.
Pese embora não batam, a voejar ficou no pensamento a ternura desse teu sentimento.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Crenças
Falando de Deus veio o outro afirmar coisa que muitos sentiam e já os ateus o diziam.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Interrogação
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Auto-retrato
Alguém disse, falando de amor, na fronteira da ironia e do cinismo, que adorava deitar-se acompanhado e acordar sozinho.
Suponho seja o percurso usual do humano adulto e, com algum regozijo, noto ter alcançado o estagio seguinte desse culto.
Prefiro deitar-me só e só acordar, se por acaso acordar.
E tudo isto pela causa do que este meu olho vem observando e não me agrada de todo, porventura daí advindo razão de preservar o outro olho, numa vã tentativa de lhe esconder a paradoxal dualidade (crueza-beleza) que a natureza nos oferece nas suas propostas de vida.
Se não comunicarem, mantenho, pelo menos um, na virtude duma ingénua candura de juventude.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Vazio
Afinal, olho a tela e desespero, por parecer a semente verdadeira e inteira e trazer no ventre a flor e o fruto, dela brotando a vida e o amor e também a dor e o luto e, no evoluir desta emoção restar apenas ilusão.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Tentáculos
Para quem disser que não é história de amor, chamei a depor, o beija flor.A plenitude do amor será o conjunto duma plêiade de sentimentos, tentáculos, como se de um polvo se tratasse.
O maior e mais possante é, sem duvida, a amizade, talvez até por ter de ser vivida a dois ou mais.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Casamentos
Encontrei um destes dias um sujeito que me pregou uma seca dissertando sobre casamentos.Na sua rude forma de encarar o tipo de amor que aí se enquadra declarou que, a curto prazo, e dissipadas as névoas do romantismo, a união se assemelha a violação consentida.
Foi porém mais sensato e menos cínico ao afirmar ser possível existirem ligações duradouras, nesse vinculo contractual, sendo apenas necessária muita paciência e casas de banho separadas.
Estou sempre a aprender.









