sábado, 2 de abril de 2011

morte anunciada

Não há fuga a questões complicadas e assim pensei quando me perguntaram como se vive com morte anunciada.
Na sua essência é a complicação de somenos porque, na verdade, desde logo à nascença, quando nos atiram para a prova de vida, pese embora a validade seja aleatória, a morte vem por apêndice garantida e sem fuga.
Há todavia casos em que o anuncio é cometido a termo definido, como sejam aqueles em que a justiça do grupo entende ser essa a via do castigo ou a própria natureza o faz, natureza que nos rodeia em sua beleza e falácia ou a nossa própria quando os limites são ultrapassados e os elásticos rebentam por demais esticados.
Eventualmente tudo depende da forma como cada um entende a morte, essa coisa que desconhecemos e evitamos comentar naquela falsa sensação de afastamento pois se não vejo não existe, conduta de avestruz mas que o humano bem imita.
No entanto é ela tida senhora do sofrimento e dor, arrastando consigo a noção da perca de posses frequentemente tidas como eternas, não só da nossa vida como daqueles que nos são queridos.
Aqui declaro não saber porque me deu isto hoje, mas pronto, fica arquivado e logo se verá.
E até vai levar boneco para não ficar tão triste

sexta-feira, 4 de março de 2011

Voar de novo

Com saudades de voar, rebusquei e encontrei
Era assim há cinco anos

quinta-feira, 3 de março de 2011

Para onde

Sim, era o Ricardo, e não, não o via há anos, época aquando ele febrilmente procurava respostas para questões filosóficas e universais, tais como donde viemos e para onde vamos, deixando então de fora algumas sequenciais e deveras importantes, tais como para quê, porquê e, a maior, porquê eu ?
Após os rituais, não me contive e perguntei se já tinha encontrado soluções para suas duvidas.
Que sim claro, tendo ficado apenas algumas arestas por limar.
Não puxei pela conversa pois sabia que aquilo podia levar horas, e horas dum tempo já para mim perdido.Todavia não deixou ele cair e acrescentou que, para onde, dependia sobretudo do currículo a apresentar aquele senhor aparamentado e barbado e tão badalado São Pedro, figura que, como outras fomos criando na evolução do homem e de tanto nelas falarmos as cremos reais.
Ele daria o seu parecer após leitura do currículo e dos seus registos sendo as alternativas paraíso ou inferno.
Conhecendo o Ricardo já o estava a ver a pensar numa cunha, pois sabia que das más acções ele se teria desfeito antes da crise, mantendo apenas as consolidadas e boas.
A conversa e o pensamento inerente obrigou-me a um pequeno salto na cadeira, aviso que me devia pôr a milhas e assim fiz, desejando-lhe, como é da praxe, tudo pelo melhor.
Estava preocupado quanto baste e fui dali a matutar, pois, para mim que não sou politico nem homem de cunhas e nem sequer negociante de bolsa, se o para onde fosse o inferno, podia dispensar o exame, ficando neste onde já vivo e me queimei.
E porventura sempre me atrapalharam aqueles senhores muito aparamentados e de grandes chapeletas que nunca sei como devo tratar e o erro pode dar barraca, como parece já aconteceu com aquele que vive ali no Vaticano.
Pode acontecer também que não entendam o português , o que, não me espantando, me obrigaria, por cautela, a procurar uma dessas escolas que dão cursos de idiomas em água a ferver e em poucas lições nos garantem desenrascar a situação.
Teria de certo de escolher meia dúzia e assim mesmo só por sorte acertaria. Sei lá, talvez mandarim, ou outro assim.
Mas há outra pergunta sem resposta: Porquê eu ?
E logo eu, tão cheio de problemas que logo hoje havia resolvido dar esta voltinha, nunca pensando que ela me daria também tal volta ao juízo, já de si tão debilitado, como tenho vindo a afirmar e parece ninguém acreditar, chamando-me brincalhão em vez de louco ou pessimista.
Que ninguem se preocupe, vou descansar um pouco, sentindo o fogo que me vem queimando e tentar não pensar mais nisto e, se a decisão me couber, por enquanto não desisto.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os burros

Há alguns anos por coincidencia do curso de vida, ou interesses familiares, entre outros, mais uma vez, como tantas me aconteceram, transferi a minha estadia fisiológica para esta zona, onde, talvez também por uma daquelas coincidencias que acabam por condicionar a nossa mente, passava anualmente uns dias de férias aquando menino e porque não dizê-lo bom moço.
Eram aqueles tempos em que o automóvel era luxo, mas lembro bem que a viagem, curta embora, efectuada no autocarro de carreira, cestinho de verga com os precisos no tejadilho e olhos extasiados (cereja no topo do bolo)  postos nas árvores que em sentido contrário corriam e já então sentia necessidade de abraçar, pinheirais imensos que ainda os havia.
Antevisão da aprendizagem de bicicleta, o cheiro a campo, de mangualde a malhar milho na eira, o figo de capa rota sobre o poço de água fresquinha e os animais, ah os animais, não só o então já muito explorado porco de engorda e cuja linguagem jamais compreendi mas sobretudo os burros e sim, com esses aprendi a zurrar, acariciando as longas e felpudas orelhas e sabia bem os consolos que me iriam dar quando os montava ou ia de sol a sol para as vindimas para depois pisar a uva no lagar da família que me alojava. 
Desses mansos animais apenas temia o seu calçado forrado a metal, pelo que o convívio tinha de ser devidamente acautelado, mas garanto que continuaria a zurrar de bom grado, se eles por aqui existissem, correndo embora o perigo de me chamarem de louco, coisa que sei de há muito.
Sucede porém que, aparte alguns galináceos ou ovelhas, os burros desapareceram aqui da cena poderei dizer por completo, ressalva a uns quantos que perderam qualidades, e com quem evito o convívio, pois zurram mal e as orelhas são curtas e não peludas, alguns deles até imitando os pavões, apenas no sentido do seu pavoneio pois nem sequer imitar o valente grito são capazes.
E assim desiludido não vejo avançarem os meus êxitos nesta coisa da linguagem das outras espécies, das quais exceptuo as cobras, que essas também as há por aqui, não por horror mas porque falam muito baixo e, confesso, no meu estado de saúde e audição, só vou ouvindo aquilo que me convém.
Mas ainda sobre este meu interesse pelos burros, subsiste uma estranheza.  Burro porquê ? Porque a humanidade resolveu tratar de forma pejorativa um animal que em todos os tempos o ajudou a amenizar a sua diária tarefa de subsistencia.
Burros e porcos e aqui tenho de confessar que nunca falei nem me entendi com estes últimos, mas estou porventura convencido que andam por aí muitos sob disfarce.
Outra confissão que tenho de cometer é que antes de ter iniciado este escrito da treta devia ter feito pesquisa, hoje tão facilitada, para melhor entender certas coisas.
Só me desculpam as dificuldades de visão que venho atravessando, ou, se calhar, também tento ver apenas aquilo que quero.
Que alguém me perdoe, mas tinha de ajustar este desabafo para memória futura, se nesses tempos vindouros alguém se vier a dar ares de se  interessar pelos meus pesares.
Neste momento o texto não me parece só da treta mas longo que baste. pORVENTURA, como foi pensado há pouco a olhar a chávena do café, nunca me passou pela mona enfraquecida que ao digitar desse nisto
Outro que ainda não tem fotografia, mas sim, irá ter.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Comentários

Não era suposto que a esta altura do campeonato me assustasse com os conceitos tão diversos que cada qual faz do mesmo termo, ou até do entendimento global dum texto.
Isto vem acerca de comentários ao Kit de emergência que, e quanto a mim, apenas deveria ser entendido como exercício de sobrevivencia e ajuda ao próximo, nesta humanidade a pulular de loucura e não me excluo, como sabe quem tem o hábito e a generosidade de perder (?) algum tempo com estes devaneios nos quais derramo sempre que posso algum humor que é o meu e espero assim seja entendido.
Nesta velada critica inserta nos comentários, existe sempre quem me ache muito certinho, apesar da estrada curva, longa e pedregosa já percorrida, e outros que dissimulam um certo espanto por ainda existirem loucos que se assumem. Mas tem de ser, nunca fui forcado, mas tive de  tomar a vida pelos cornos e  não consegui completo domínio, confessando mesmo ter levado dela muita marrada o que talvez tenha feito de mim um guerreiro desarmado muito razoável longamente habituado à adversidade, tomando-a de preferência como impostora que é.
 Mas voltando ao assunto, alguém chamada de deusa de Orin que diz ser o meu sentido de humor fantasmagórico e para o meu conceito do termo, que me assusta, lá terei de arranjar tempo para rever o que eu escrevo, pensando conter graça e afinal será desgraça.
Alguém anónimo, certamente sabendo da minha mania de conversar com animais
e com um méééé delicioso, acaba por me pedir pormenores para tirar o melhor partido do kit e me deixa na impossibilidade de o fazer porque não sei de todo de quem se trata.
E aqui fica mais um texto, quiçá sem interesse, perdido nesta imensidão da galáxia, por onde voga a minha estrela que há tanto tempo deixei e deve andar do avesso e em tal desalinho que bom trabalhinho me irá dar aquando do meu próximo regresso.
Tenho de retomar o hábito de colocar fotos nisto, não por prémio, por de tal não ser credor, antes porque me lembram o amor.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

kit de emergência

Havendo por aí tanto desajuste, natural é que, de vez em vez, nos peçam ajuda.
Uns serão loucos assumidos, talvez o meu caso, outros não tanto.
Se for de sua vontade, faça-o, sem grande stress e converse, mesmo que não saiba o que dizer.
À cautela use o kit de emergência com suas chaves de fenda e martelo. pois se o caso for feio e de tampa desajustada, é um óptimo meio de sair da enrascada.
Em caso de tampa aberta, a coisa vai ficar feita é escolher a chave certa e meia volta pra direita.
Há porém imensa gente de tampa muito ajustada, e já o caso é diferente, volta à esquerda quase nada.
Se a conversa for da treta e não vir outra maneira, não use logo a marreta, tente antes a volta inteira.
Sendo as queixas de arrazar, e falar não remedeia, não há mesmo que hesitar, ajuste com volta e meia
Mas se algo tem de fazer e até aqui não deu nada, então sim ! pode crer, só resulta à martelada.
Contudo tenha cuidado, não bata com muita força para não fazer doer, pois o coitado estará farto de sofrer.

sábado, 29 de janeiro de 2011

DOR E SOFRIMENTO

Dor e sofrimento, sempre de braço dado, amigos de longa data, unha com carne, parecem frutos da mesma árvore.
Diria que talvez mas alimentando-se de distintas raízes.
Casal sorrateiro, procuram alojamento em seres debilitados, de limiar álgico vulnerável onde a dor se ceva na carne que resta e o sofrimento trata do foro psicológico, parecendo ir beber aos estados de alma e da influencia da experiência do passado.perspectivada no futuro nebuloso, deixando esses seres com baixas hipóteses de liberdade.
Mas enfim, em muitos casos lá continuam de braço dado, e, como as coisas da vida, com eles só a morte vai acabar.
A solução é espírito forte e cuidarmo-nos, segundo minha opinião.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A volta às flores.

Este texto publiquei-o há alguns anos após a conversa havida com uma florinha, hábito meu de então-
Hoje tive uma vontade imensa de voltar a ele, porque alguém me comentou, usando de grande generosidade e dizendo que eu era uma boa alma.
A ser verdade, o que não creio, as boas almas são castigadas de vez em vez..
Por força tenho de voltar às flores e à grande necessidade de voar.
—Obrigada !
Olhei à volta. Ninguém.
Óptimo, pensei. Agora já não falo sozinho, ouço vozes.
E logo anotei a vantagem de abandonar o monólogo.
O obrigada repetiu-se, e, dessa vez, guiado pelo som, descortinei uma florinha amarela, repousando em berço verde nas fissuras da calçada.
— Obrigada porquê ?
— Não me pisaste. Sabes, sou filha bastarda duma lufada de vento.As minhas irmãs tem sido pisadas ou colhidas e assim fiquei só.
— Não gosto de colher nem de pisar flores.
— Como tu há poucos, por isso vivo nesse medo. Os homens são muito estranhos, mostram-se atarefados, atropelam tudo e seguem sem mostrar compaixão, correndo dum lado para outro.Será que sabem o caminho ?
— Suponho que não.
— Certa vez passou por aqui um sábio que me disse que os homens são contraditórios: Perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Pensam ansiosamente no futuro, esquecendo o presente e acabam por não aproveitar nem o presente nem o futuro. Vivem como se nunca morressem e morrem como se nunca tivessem vivido. É tão estranho !
— Podes crer. Acham também que praticando os rituais aliviam a sua consciência. Olha por exemplo no que toca a flores. Sem compaixão, colhem as mais belas, atam-nas em molho e depois, quer para celebrar a dor quer a alegria, oferecem beleza morta.
— Por isso vivo em pânico, ainda bem que não sou assim tão bela.
— Pelo contrário, além de seres uma bela flor, consegues também ser uma flor bela, lá onde não se vê, e, toma nota, isso entre os humanos não é fácil. Muitos não passam de encadernação de luxo em obra vã.
Pairou o silêncio e, passada uma eternidade, ela voltou a falar:
— Tu hoje foste a minha luz, o meu sol, quem me dera poder voar.
— Também gostaria de voar. É a liberdade !
— Não só. Quando o sol não viesse a mim, eu poderia ir até ele.
Chamei de novo o silêncio e afastei-me para que ela não visse o orvalho nos olhos do seu sol.

sábado, 22 de janeiro de 2011

As vestes da humildade

Ainda sobre o corredor da vida, faz três meses que o meu, devido a algo de maligno, se estreitou e, não fora a perícia e dedicação dum cirurgião e sua equipa, teria franqueado a porta de saída.
Foram-me assim permitidos mais três meses de vida e pese embora grande parte em dois cativeiros com a inerente dor e sofrimento, o segundo me permitiu constatar, tão embebido andava a lamber as minhas feridas, que estive em risco de não me aperceber, nem dar o devido apreço à ternura, carinho, afecto, amor, que me dispensaram companheiros de antigas actividades e outros mais recentes da escola sénior, de bloggers que nunca vira e sobretudo do meu filho e nora que, não olhando ao encargo, me tomaram como se seu filho fosse.
Aí acordei um pouco e perguntei-me a razão porque motivo outros davam mais valor à minha sobrevivencia do que eu próprio e lembrei também conversa posterior com o cirurgião que me disse ser eu um homem forte.
Nunca fui nem quero ser ingrato e não hesitei na minha obrigação de passar a investir um pouco do meu animo em cada dia mais que me seja oferecido, evitando assim desmerecer as manifestações de afeição de tantos a que, aparentemente, poderia não estar a dar o devido apreço e encontrando forma de me redimir.
E como a humildade é uma vestimenta que me apraz usar, aqui deixo o meu agradecimento e coração a todos aqueles que ainda me creditam algum préstimo pedindo desculpa se passei um pouco à ligeira aquele período de maior sofrimento e consequente menor discernimento.
BEM HAJAM TODOS SEM EXCEPÇÃO, CONTANDO COM O VOSSO PERDÃO.

domingo, 16 de janeiro de 2011

o corredor da vida

Se me propusessem explicar a vida diria que é um corredor sem espaço ou duração definida, limitado por um lado pela entrada ou nascimento, para o qual não contribuímos nem solicitámos e pelo outro pela letal e inexorável saída sem retorno, a morte, a verdade final de cada ser vivo.
Servidos do livre arbítrio, após longa manutenção e aprendizagem pela experiência, durante a qual somos dependentes da entrega e do amor dos outros, vamos fazendo o percurso um pouco à toa, desprezando mor das vezes, esse amor dos outros e a luxuriante paisagem que a natureza nos oferece a cada passo dos varandins do corredor, suas serenas brisas e sussurrantes águas.
Não nos bastam todavia essas mordomias, pois ambição desmedida, sonhos e anseios, levam-nos aos devaneios.
Olhamos lá ao longe, desprezando e não usufruindo o que temos tecendo desejos cujos únicos ensejos são mais nos aproximarmos da saída onde os projectos se esvaziam sem substancia.
Nem mesmo quando no percurso somos enfraquecidos por pancada forte e dela saímos mais ou menos ilesos, tentamos emendar a mão e munidos desse trunfo o jogo possa ser outro e dele tirarmos o verdadeiro partido, no cerne aproveitarmos o que nos é oferecido.
Bom, mas basta de paleio, vejo ali uma bela flor e com ela vou palrar um pouco, talvez até falar de amor e saber se, também ela, tem o anseio constante de olhar para a frente, conhecer outra gente, outras abelhas que provando do seu néctar projectem a sua beleza para lá do portal e quiçá tenha a ideia louca de vir a ser imortal.
Se assim for terei de lhe recomendar que não troque o que tem por fantasias que não passam de manias a que ninguém convém.

sábado, 8 de janeiro de 2011

cativeiro

AUTO RETRATO 
CONTAGEM DE TEMPO NO CATIVEIRO.
PELO MENOS O PIJAMA ERA AZUL!!!
LÁPIS E ACRILICO SOBRE TELA 25X25

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

DA EXISTÊNCIA DE DEUS

Foi longo o cativeiro, pleno de dor e sofrimento, escutando bastas vezes dos outros o grito do lamento.
Certa vez, junto ao meu catre e vestido de amarelo. alguém resolveu falar, monologando, sem resposta esperar, semelhando um momento de experiência e aprendizagem.
Fizera um retiro de formação cristã e só então passara a acreditar em Deus, que, pese embora nunca o tivesse ouvido, lhe passara a falar, não oralmente mas por sinais e nunca se sentira tão feliz, tão forte passou a ser essa sua crença.
Disse também que em tudo existe o seu contrário: no bem o mal; ódio no amor e  dúvida na certeza, completando-se.
Foi meditando nisto que sinceramente me retrato de alguns pequenos textos em que me permiti colocar em dúvida a crença de outros seres, usando alguma rima fácil mas não grácil, imbuída de ironia e mordacidade, esquecendo que somos iguais e diferentes e todos aqueles que por essa crença e através dos tempos até deram a vida.
Coisa injusta de que me redimo e assumo culpa, pois, na verdade, se um ser acredita em Deus, então esse Deus existe nesse mesmo ser.
Quantos de nós passaram ao lado de sinais sem voz, sem lhe conceder importância, mas porventura de conteúdo passível de alterar os nossos percursos de vida se devidamente entendidos ?
Depois, tarde, mas tarde, lembramos os "ses" quando o tempo de alterar esses percursos está esgotado.
Agora não me restam dúvidas. Há que bem entender, no momento,os sinais que vamos recebendo.
Bem haja esse ser que de mim se aproximou, concedendo-me um pouco da sua luz

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Certa noite, deambulava eu, zonzo, pelos corredores do inferno, quando alguém, talvez o responsável da zona, questionou abruptamente: o que é que você quer ?. Ciciei: esquecer, descansar e dormir, mas não consigo. Deite-se e finja que dorme, foi a sugestão insensível e brutal.
Porventura ando desde aí num verdadeiro faz de conta a tentar o fingimento e a lógica que disto retiro é que o inferno é um verdadeiro labirinto em que todas as portas escaldam e ao mesmo vão dar, com gestores  de sector em tudo semelhantes.
Lá me perdi outra vez e agora, como prova o texto. até finjo que escrevo, mas como também finjo que assino ninguém saberá que fui eu.
Para animar as tropas está muito em voga e é constante ouvir: um dia de cada vez.
Acho que me bastaria um dia de vez quando, se me for concedido.

sábado, 2 de outubro de 2010

aniversários

Não gosto de comemorar aniversários e porventura é nessas datas em que maior percepção temos de que existimos em nós e fora de nós, pelas manifestações de carinho e ternura de quem nos ama, emprestando-nos a ideia do mérito de termos qualidades bastantes para sermos amados. e permitindo a  ubiquidade, pensando que aqui existiremos mesmo depois da partida para as grandes planicies.

Foi para mim ontem um desses dias e os meus bichinhos presentearam-me com presença, carinho, ternura e mimos a não esquecer, incluindo os meus dois blogues agrupados em caderno e com prólogo que passo a transcrever.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

LABIRINTOS

O leigo chama de louco todo aquele cuja conduta é aberrante ou no menos desviante das linhas de comportamento que o homem foi estipulando como normais na sua ansiedade de harmonia global que certamente jamais atingirá.
E daí, cada mente, esse labirinto em que também o homem se perde com demasiada frequência, carrega com isso labutando na vã tentativa de enquadrar o bem e o mal, o certo e o errado. valendo-se do contexto e do conhecimento que lhe vai sendo impingido no curto ou às vezes longo percurso no manejo do uso e costume e sua dificil integração ao meio.
Um destes dias, estando eu num snack olhando absorto a chavena do café, um casalinho, ao lado, pediu dois pregos à jovem funcionária que de seguida replicou que a loja de ferragens era em frente.
Logo a seguir, contente pela loucura dos outros, saí e entrei na loja ao lado a namorar uns sapatos, contando contrariar a minha incapacidade decisória na compra dum par.
Era dia de sorte, estava a ser atendido um sujeito manifestamente com pé 41 que exigia o funcionário lhe ensaiasse sapato 35 e, perante o espanto do profissional, rogava suplicante.
Oh homem ajude-me. Esta semana foi demais, perdi o emprego e o carro, a mulher deixou-me e a TV avariou.
Insisto, quero 35 e levo calçado e já antevejo o gozo que vou sentir quando chegar a casa e me sentar no sofá que lá resta e tirar os sapatos.   Bolas, alguma coisa de bom me aconteça hoje.
O dia estava a correr bem mas não ficou por ali.
À saída, satisfeito e coxeando, lá se foi e, grato, despediu-se de mão do funcionário.
Logo de seguida este começou a contar os dedos.
Aquilo começava a ser demasiado para mim, mas, perante o meu justo espanto o homem explicou.
Era extremamente desconfiado e receava que naqueles apertos de mão a um desconhecido e a bater mal, lhe roubassem algum dedo.
Bom, com tanta areia já tinha a camioneta cheia e saí, sem apertar a mão ao homem, mas um pouco horrorizado por ver que aqueles tipos dificilmente encontrariam a saída do labirinto em que sem cuidado se haviam deixado meter.
Ando eu por aqui a apregoar que sou louco quando, afinal e se comparado, sem modéstia, serei porventura dos mais certinhos.
Também entrei e percorro o meu labirinto mas tive o cuidado de ir deixando umas pedrinhas pelo caminho e, em caso aflitivo, poderei facilmente retroceder e sair pela entrada, não ficando cativo da necessidade de encontrar a unica saída.
Os sentidos do ser humano são na realidade armas poderosas.
Vá vamos sorrir para não deixar fugir esse que é o do humor porque o do amor está de pedra e cal, a residir.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A RIQUEZA DOS AFECTOS

Os afectos compatíveis podem ser em cada ser compostos em ramalhete, pois  amor, ternura, carinho, meiguice, são no seu todo frutos da mesma semente embora de diferente coloração.
O senão é que podem não florescer em conjunto no mesmo ser, acontecendo que quem não os reconhece quando os recebe é quase certo ser paupérrimo nessa área e, não os possuindo, não os pode redistribuir.
Vem isto a propósito do horror demonstrado por mulher adulta, mãe e avó, (provando assim a inexistência de afectos na sua triste alma) quando lhe confidenciei que, desde sempre tratava as minhas netas por meus bichinhos.
Elas, minhas netas, hoje a entrar na idade adulta, sempre rodeadas de amor, ainda não dispensam esse tratamento, pois além da entoação com que o faço elas sabem bem que são base e topo da pirâmide dos meus afectos e para sempre vão viver na minha alma.
Sabem também do meu amor, respeito e aceitação de todos os seres que a natureza colocou ao nosso redor de forma a prestar um pouco de beleza à vida,
Até diziam que eu falava com os animais porque, obtendo resposta da minha imitação de seus pios ou cantares  tinha o engenho de lhes contar o que me respondiam.
Assim e contrariamente a outros bens, essencialmente materiais, os afectos tem esse dom lindo de enriquecer quem os dá, engordando a alma como diria amiga minha, e satisfazem plenamente quem os recebe desde que os compreenda e, nesta área, só se poderá compreender aquilo que efectivamente se possui ou sente.
Já tinha prometido enviar para a gaveta estes loucos textos que vão chamar de treta mas este ainda terá um pouco de vida virtual.
Desculpem lá qualquer coisinha, mas o louco sou eu.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

BÚSSOLAS

Em seguimento ao texto das encruzilhadas e pelo telefone falou-me um sujeito que a preceito me questionou porque não comprava eu uma bússola na tentativa de encontrar o caminho certo em vez de escrever estas merdas a chatear os outros.
Não, não fiquei estupefacto, porventura o facto até resultou catita e virtuoso, porque assim já somos dois a pensar o mesmo da qualidade da minha escrita.
Nem me passou pela cabeça chamá-lo de cretino, pois, aproveitando a sugestão, logo fui à cidade a loja da especialidade e solicitei à atenciosa jovem me vendesse uma boa bússola capaz de me indicar um bom destino.
Respondeu ter algumas mas, funcionando e com sorte, apenas indicariam o norte.
Foi repentino este toque de campainha, pois também já me haviam chamado de desnorteado e, sendo assim, até convinha e, porque não, talvez fosse a solução.
Comprei uma e aproveitando a gentileza perguntei se tinham GPS que indicasse o caminho para a felicidade mesmo para gente da minha idade.
A resposta negativa, tão perfeitos não tinha mas aguardava, lá para o verão, de alguns próprios para pessoas sem razão.
Com a promessa de voltar, fiquei-me pela bússola, mas como sou poupado logo pensei procurar outro desnorteado.   Seguiria acompanhado, teria com quem falar e as despesas da viagem partilhar.
Há sempre a hipótese de, quando chegar ao norte, daquilo não gostar e sempre será mais útil outra cabeça a pensar para saber a melhor forma de regressar.
Todavia mesmo que parta sózinho vou pôr a pata ao caminho, pois quando lá chegar se vir que aquilo não agrada de algum modo hei-de sair.
Mas antes a chave do blog vou deitar ao caixote para não ouvir mais dichote.
Ena, escrevi tanto e tão malinho! O tipo tinha razão !!!

domingo, 5 de setembro de 2010

ENCRUZILHADAS

Lá consegui dar a volta ao espelho e tanto insisti que, for fim, me mostrou o menino que por força tinha de ter existido em mim. A perseverança sempre resulta mas não se compadece das agruras do percurso.
Alguns pretensos filósofos afirmam que fazemos o nosso próprio caminho, o que parece uma verdade à La Palice, sendo óbvio que a opção é quase sempre pessoal e o dito só pode servir o sentimento de culpa após verificação do logro na escolha.
Na pele desses filósofos e prevendo situações de indecisão que tantas e tantas vezes nos assaltam, sugeria não esquecermos duma moedinha para, quando deparamos as encruzilhadas substituirmos os anseios, os engodos, as duvidas e as incertezas pelo acaso do cara e coroa tornando à moeda as culpas e à malvada da sorte, todo o tipo de regozijo ou lástima pela decisão tomada.
E, na falta da moeda, restará o dólitá que no mesmo dará.
Cá está o cruzamento e eu vou por aqui sem lamento e curioso, pois fiquei engodado ao ouvir o murmúrio sussurrante de água a correr e estou sequioso, quero beber e, pela fé que tenho, pode ser até resulte em maravilhoso banho.
Olho o teclado e dão-me certas ganas de o atirar pela janela, libertando-me de vez desta mania de escrita louca em que acabo por dizer coisa pouca.
Bom caminho e, se me sobrar carinho, poderei escrever em folha, rascunhando estas coisas de treta que acabarei por enfiar no escuro daquela gaveta.
Claro que continuo com loucura mansa, mas, como quem procura sempre alcança, dizem-me que além de manso sou louco moderado e até estou medicado e as pastilhinhas são magenta.  Lindo.
Bem, este ainda publico!
Até um dia e não sorria, pois pode acontecer a todos e, como não me parece grave, desejo as pioras porque de fechar o blog começam a ser horas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CONVERSAS DE ALMA


É a palavra escrita, entre outros, um poderoso meio de partilhar afecto, sendo comum o envio do beijinho e abracinho que sem concretização física, deixa, no menos, a intenção da carinhosa ternura.
Porventura, mesmo por essa via, existem seres que nos passam ao lado, outros nos roçam e alguns mas poucos nos atravessam e enlaçam a alma.
Um desses últimos escreveu há dias que em frente ao mar eu lhe surgia à memória.
É um afago que, para além da ternura implícita, me dá o agrado de saber que consigo existir para além de mim e eventualmente haverá alguém que poderá ter prazer na minha lembrança.
Desconhecendo a mágica, motor do facto, todavia convicto estou serem impenetráveis segredos de alma que assim se engorda certa da presença do outro.
Podes crer que quando fitar o horizonte sobre as águas, não deixarei de te ver a caminhar sobre esse teu domínio e vou acenar-te com carinho para que saibas que também em mim existes fora de ti.
Por agora fica com aquele beijinho bem intencionado, jamais concretizado e o abracinho longo e sem aperto e sempre que contemplares o mar ou o céu lá estarei contigo.
Falta aqui algo que o sistema não deixa mas terei de voltar para evitar a queixa.  Até lá*******

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Porventura será verdade e o ocaso não surge por ACASO  e eu continuo o mesmo, nada tendo melhorado desde Fevereiro do ano passado em que publiquei o texto aqui linkado.  Paciência, abatam-me ao efectivo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Feitiço de amor

CAcrílico sobre tela 30cm x 30cm, com adaptação em computador
Ouvi um estrondo no jardim, acorri.
Ela estava ali, olhando para mim com todos aqueles olhos verde cinzento, sóbriamente despida, o que na foto escondi, e do penteado nem falo. Linda !!! Sorri.
Quis dizer algo fosse cativante, aquelas palavras que todos dizemos ao visitante , nada significam e ninguém ouve, mas são de bom tom.
Não expressava som. Fiz um esforço, e, sem nexo nem desejo, pronunciei: AMO-TE. Não tive outro ensejo.
Todos os seus olhos brilharam e convidou-me a sair.
Peço perdão, seria convite ou intimação ? Tive de ir.
De vontade anulada, sorri de novo e abraçados lá fomos, calçada fora em longa passada.
Quem connosco cruzava voltava a cabeça e mirava, êxtase, cobiça e inveja. Dentada de ciume jamais sentira e ninguém deseja, mas a ferroada levei e, como acontecia, não sei.

Já o passeio me cansava e não trouxera bagagem para esta viagem. Contudo... continuava sorrindo.
Para quebrar o derriço, certo do feitiço, num lampejo de razão, a custo e sem susto, perguntei-lhe então quem era, donde vinha.
Sou a morte me disse com voz de afago, venho duma estrela pra lá do sol e tens sorte, para vires comigo, eu trago um lençol.
E levou-me...

Como se trata de um estado de espírito, fiz renascer este texto dentre cinzas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DESENCONTROS

 Se nunca te vi, nem um abracinho te dei, não te olhei, não te cheirei, não tacteei o teu rosto como te vou conhecer perdida na multidão ?
Fico-me por ter roçado tua alma. 
Olharei todas e ficarei na escuridão, embora ouvindo os cânticos, e vais continuar no meu pensar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

COMUNICAR

Comunicar parece ser o que deveríamos fazer quando contactamos uns com os outros.
Porventura nem sempre assim sucede e subsiste alguma dificuldade em entender o que o outro quer dizer com aquilo que expressa. Muitas das vezes o fenómeno tem lugar simplesmente por serem diferentes os conceitos em cada cabeça.
Ouve-se com alguma frequência e sem recato: vamos fazer amor !
Já sobre isto escrevi e na verdade se se faz, é coisa que se pode comprar feito.
Muita gente ficaria satisfeita com a dispensa dos indispensáveis preliminares. Ia à loja e levava a dose já cozinhada ou fabricada, digamos.
Não quero ir por este trilho, para não arranjar sarilho, mas há outro tema com que me enchem as orelhas e me farto de escutar:
Não tenho tempo, estou só  a fazer tempo, acabou-se o tempo.
Vejamos que afinal o tempo também parece fazer-se e depois isto tem significado diferente dependendo do respectivo contexto.
Se convido uma mulher atraente do meu convívio ou trabalho a beber um café a resposta é tal e qual.
É pá gostaria muito mas não tenho tempo. quando seria mais honesta, mais prática e mais convincente se respondesse que não, que sou velho demais para essas coisas ou muito louco ou que se excita com café.
Nos hospitais ou outros locais de visita e de repente lá aparecem aqueles senhores vestidos de branco ou azul que exclamam:  acabou-se o tempo, como se fosse coisa para acabar, mas, ali, por vezes, dão consolo a quem fica e a quem tem de sair. Do estilo acabou a algazarra.
Normalmente as pessoas vão a coisas que supõem vir a apreciar e à saída lá exclamam: isto foi uma perda de tempo. Absurdo, voltem atrás e recolham, se perderam talvez reencontrem tudo, pois suponho ninguém roube tempo.   O quê ?  Diz ali aquele senhor que é o que lhes estou a fazer.
E no meio de tudo isto fico sem saber afinal o que é o tempo e se afinal se fabrica ou não, embora alguns digam que é no espaço uma dimensão, o que para mim e muitos outros parece continua a ser embaraço.
Sei, de fonte segura, que é coisa que não pára enquanto dura.
Outros dizem que é carga que trazemos à nascença e temos de ter cuidado no seu uso, pois, se acaba, entramos em parafuso e lá vamos nós.
Vou tentando gastar o meu em algo que me dê algum prazer e sempre digo, pode ser em tudo menos comer.
E como não o devo usar desgastando a paciência dos outros, se calhar vou terminar e em tudo isto vou matutar, claro, se mais algum tempo me restar.
Ajudem-me tentem explicar-me.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

DORMIR

Quando de manhã vamos acordando e o relógio permite mais um soninho, cometemos o erro de encher a memória interna de projectos, sonhos, fantasias e outras impossiveis manias que ali ficam a bulir e acabam por não deixar dormir.
Não estando acompanhado, ou na certeza de não incomodar alguém, é aconselhável sacudir a cabeça duas ou três vezes e ao outro lado voltar.
Quase sempre resulta, sem garantia claro.
Olha !!! Estava em eminente perigo mas resultou desta vez. Vou continuar a dormir até alguém me sacudir.

FASCÍNIO

Era uma mulher linda, de olhos lindos e profundos.
Daqueles olhos em que apetece, cerrando os nossos,  mergulhar o sentimento e procurar-lhe a alma, sem olhar a perigos, manifestamente numerosos e singelamente se enumeram para salvaguarda dos mais cautelosos.
1. Se as profundezas forem tão agradáveis quanto as superfícies e depararmos com a alma, corremos o risco de não voltar à tona, por lá ficando perdidos, enamorados, e certamente vai doer.
2. Se hesitarmos no mergulho e a contemplar em demasia ficarmos, pode andar por perto um sumarento que não goste do olhar e nos estrague o fardamento.
3. mergulhar quando ela pestaneja, o tanas, corremos sério perigo, fortuito e não a propósito, e ficaria o lamento de esmagar o sentimento entre pestanas.
4. Porventura e segundo o meu ponto de vista, quando os olhos são lindos de ver e a cor e alma estão a condizer, os perigos nunca serão problema pois valerá sempre a pena.
5. Para terminar, e como vantagem minha, se disser tudo isto, sem ser mal educado, a uma mulher possuidora de tal predicado, ela vai exclamar: LOUCO!!!
O que me traria felicidade, por alguém dar mérito e reconhecer essa minha capacidade, seja lá o que seja !

Bom, fico por aqui, pois bem me parece que já escrevi demais e ordem ponho nisto, tranco o pensamento e dou fim ao sonho.
Para tanto amor seria bem pouco uma flor e, por mim, sendo assim tão louco, aqui deixaria um jardim.
Para ti.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

bons e maus

Entrei no autocarro e logo a gorda mulher encetando conversa com o vizinho lhe dizia que os homens bons só se encontravam no cemitério.
Pois, o dito daquela mulher levou-me aos anos da minha juventude em que o cinema americano nos injectava os ditos filmes de aventuras (índios e cowboys), cavalgadas, tiros e setas, onde era de uso ouvir os bons (??) dos cowboys a dizer que índio bom era índio morto.
Por isso lá pensei que no cemitério a que se referia só haveria bons homens enterrados, naturalmente.
Mas não e a trovoada chegou depois quando ela disse, à laia de explicação, que era bastante fácil encontrar bons e piedosos homens, chorando, na visita ao túmulo das ex-mulheres.
Bom só faltará a abertura de esplanadas e a marcação dos respectivos encontros para partilhar passado e futuro, embora a envoltura não seja das mais agradáveis.
A observação destas coisas tem para mim um certo factor benéfico, pois assim me vou convencendo que afinal não sou tão louco quanto pensava e manifestamente há bastante pior, embora não seja menino para me comprazer com o mal dos outros.
Todavia a loucura mansa nem é grande tortura e por vezes assenta bem.
Nem falo aqui de flor, mereça ou não, lá me começavam a perguntar se era para pôr em caixão.
Continuo sem aprender nada e ganhei apenas o recuo à juventude.
Hoje não tomo a medicação.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MIMOS

O flagelo das drogas, podem os mais incautos tomar nota, não se basta na habituação e dificil fuga das pesadas e também das mais ligeiras, como o álcool e o tabaco, todas de trabalhoso e complicado divórcio.
Existe uma, ligeirinha, ligeirinha que por sinal não tem preço e é por hábito trocada em ternurenta cumplicidade
O mimo, coisa terna prenhe de carinho, prova de que existimos fora de nós e na mente de quem nos ama.
Quando de boa gema faz cerrar os olhos, inebriando alma e coração, virando vicio num ápice.
Apesar de leve não deixa de possuir o perigo de poderosa habituação que consigo arrasta a dor da carência, havendo por tal de ter o máximo cuidado nas trocas de forma a assegurar que o cúmplice não interrompe a permuta.
Vou ficar por aqui pois se a minha querida neta lê o texto lá virá com a sua assertiva critica: Lá está o avô a dar para o sentimento!!
Aproveitemos a plenitude do mimo que só faz bem à saude.
Também terá de levar flor porque é de puro amor, mas hoje não trouxe a chave do jardim.  Cá virei a seu tempo.

AMOR E MAGIA

Dizia eu em tempos a uma amiga em tom de desabafo que as mulheres que ainda me atraem, necessariamente pelo conjunto da beleza física e espiritual, duma forma geral ou já comprometeram os seus afectos ou olham em primeiro plano à minha idade, em detrimento de outros atributos físicos ou intelectuais de que ainda felizmente disponho.
O que daqui retiro é que não acreditam naquela treta tão apregoada na publicidade do vinho do porto.
Quando me surge uma cuja atracção me dilacera, quase desejava ser mago além de meigo, para lhe conceder um acréscimo à idade de 15  20 anos, assim conciliando as coisas.
Porém o sujeito sensato que me enche o coração e a mente, o tal que elas não conseguem descortinar, de imediato me pergunta se eu gosto tanto dela para quê projectar-lhe tanto mal ?
Estou a ouvir um comentário ali do fundo daquela senhora morena de vestido vermelho:
O tipo é velho e louco !!!!!
Pronto é o costume e eu que estava esperançado de vir aqui aprender alguma coisinha, só levo com o que já sei e é evidente.  Paciência, pode ser que não seja nada
Para já vou continuar sem orelhas para mordiscar enquanto em sussurro pudesse partilhar os meus afectos e problemas vivenciais.
Ah isto terá pela certa de levar flor.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

CORPO E ALMA

Ñão retiro grande agrado das minhas deslocações à capital, minha cidade natal.
No entanto, é verdade, quase sempre ouço ou vejo coisa que deixa minha mente em fervura e, por tal, e antes que as bolhas prejudiquem o respectivo texto, logo que chego tento transmitir ao teclado o resultado da safra.
Lá vai, contrariando quem não gosta de viajar de metro.
Sem grande margem de erro, estou convicto poderei afirmar existir consenso alargado que são os humanos um composto de corpo e alma, ressalvados alguns desalmados que as noticias e os factos diariamente nos apontam.
E foi por este caminho o tema ouvido em extenso paleio num percurso em transporte publico, onde, além da deslocação óbvia, temos tantas vezes que levar com insólito historial da vida alheia, pela falta de recato nas conversas e níveis de voz utilizados pelas impostas companhias que não conhecemos nem interessam mas que por vezes nos aportam algum conhecimento de nós próprios se os extrapolarmos.
A pergunta que colocaram foi para mim pequena bomba a que tentei tirar o detonador e depois despiolhar:
Somos um corpo com alma, ou uma alma com corpo.
Pede uma resposta que, seja qual seja, implícita grande exposição da personalidade do respondente e seu percurso de vida, pois aceitando-se ser alma com corpo, este, como seu veiculo, facilmente e pela sua prática,facilitará a leitura das expressões da alma, desnudando-a tal e qual como a personalidade. e já a resposta corpo com alma, fica um pouco fora deste contexto por não estar a ver o corpo a dominar a alma.
Bombinha despoletada fácil foi adaptar as suas várias facetas, tentando comparações à minha forma de estar tento cumprir a finalidade suprema tão em voga do conhece-te a ti próprio.
Enfim foi um cenário que deu luta e por tal gostei, gostei e gostei.
Cá virei colocar uma foto duma carruagem de metro e também acho que merece flor.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

capacidades

Neste mundo competitivo acontece criarmos os nossos próprios problemas quando verificamos não sermos capazes de...-  seja isso para o bem ou para o mal, existe sempre o desconforto ao ego.
Olhando para mim e para o meu longo percurso, jamais me embriaguei o que  parece insólito quando olhamos à volta com critica ou inveja.
E não é que não o tenha tentado, todavia o corpo recusa e contraria o espírito.
E a funcionar assim quer na rejeição dos defeitos ou virtudes é óbvia a necessidade do domínio psicológico para que não se gerem feridas por tão bizarras causas.
Na área do ciume esse sentimento bizarro, nefasto e estranho de pseudo dominância, tentei também senti-lo e em determinado tempo tentei procurá-lo, provocando-o.
Tenho hoje a garantia ser capacidade absolutamente dispensável pelo estúpido impacto que provoca.
Fiquei curado. Nunca fui sumarento assumido nem serei. É um sentimento de posse e domínio cortando a liberdade ao outro e que jamais poderá coabitar com o verdadeiro amor

Flor ?  Claro que merece, vou ali ao jardim procurar e aqui com ela hei~de voltar.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

RAIVAS

Há uns dias ia a sair aqui do sitio e fui abordado por duas mulheres entre os 5o e 6o anos de idade e uma delas, digamos talvez a mais atraente, com seu rosto bonito e cabelos dourados, resolveu ser a interlocutora da nossa conversa e colocou a questão se eu era crente.
Respondo sempre com a minha verdade. Como seria eu capaz de não ser crente ao saber que um minúsculo espermatozoide, de conluio com um também minúsculo óvulo, conseguiram criar aquilo que estou a ver e me agrada mesmo, tal como a minúscula semente lançada à terra pode originar uma magnifica e altaneira árvore.
Fiz um espaço para caberem algumas outras questões que lhe bailavam no cérebro e a minha tentação era ter continuado como segue e que não fiz.
Se a sua pergunta implícita a crença num todo poderoso Deus, eu teria de lhe perguntar porque foi retirada do meu convívio uma filha que hoje teria aproximadamente a sua idade e estou certo que qualquer resposta me desse seria quase um insulto à minha inteligência.
Despedimo-nos cordialmente.

domingo, 25 de julho de 2010

sangramentos

Sendo o sangue o fluido de circuito interno da manutenção de vida, parece razoável que todos tenhamos algum pudor e receio, quando o vemos fluir por uma qualquer fissura naquele seu tom avermelhado vivo.
Já até li ou ouvi aleivosia tamanha deste género: desconfio dum animal que sangrando todos os meses e abundantemente durante alguns dias, não morre. O que só prova que se a estupidez evitasse a crise, decerto o País não estaria no estado actual, ou, se por acaso fosse musica, andaríamos por aí quase todos bailando, mesmo os de estupidez assumida.
Mas, voltando ao tema, acho que é um chato dum encargo que a mulher assume e suporta, essencialmente para assegurar aquela sua brilhante e suprema capacidade de ser mãe.
Sendo talvez o que me detém no desejo de ser mulher, esse ser maravilha, mãe do mundo.
Mas o sangramento não é pêra doce, é chato mesmo e eu que o diga que hoje, pela terceira vez me aconteceu ao dar uma cabeçada no portão da garagem insuficientemente levantado, não se compadecendo apesar da minha baixa estatura.
Podia assacar a culpa ao cão que me estava a distrair, mas não sou de colocar a culpa ao outro quando ela aponta na minha própria direcção, aqui a falta do necessário cuidado.
Valeu-me, nas outras vezes, o conselho imediato do meu bruxo, palavra de mimo que empresto ao médico e não sem sentido, pois é profissão bem dura que, além do conhecimento e dos meios comuns de diagnóstico hoje ao dispor, concorre ainda com a falta de informação pessoal do próprio interessado que na maior parte das vezes se convence que a profissão há-de conferir ao outro alguns poderes mágicos de adivinhação.
Assim, no caso de hoje, aproveitando o anterior conselho, lavei o caudal e pressionei durante algum tempo o local contuso.
Depois lá consegui, bem ou mal, betadinar o local e aqui estou de sangramento aparentemente retido.
Passarei a ter mais cuidado com o portão da garagem.


Ao meu bruxo, o meu reiterado carinho e a flor

quarta-feira, 21 de julho de 2010

SEDUÇÕES

Forçosamente anda o juízo arredo da minha existência, que por longa até permite margem de desculpa, corrido o risco de apelidarem de macaquices a minha branda loucura.
Em face dum comentário privado a um texto de blog e que a visada encontrou assertivo, no escrito entrou a sedução e os seus efeitos, quiçá maléficos, segundo sua recente experiência.
Como em tudo na vida, pelo que vemos, até nos sedutores existem brechas de ética.
E pronto, foi lume suficiente para levantar a fervura na minha panela e logo me lancei na procura de solução, juntando ideias à volta do conceito, não fosse saltar-me a tampa, provocando a consequente perda de ideias que já vão escasseando.
Sem ir ao livro cheguei a um resultado parecido comigo.
Sou seduzido pelo que me agrada e adoça a existência e, tratando-se de outro ser, acho que a coisa merece alguma inteligencia e caldos de galinha.
Seduzir tem a ver com o desejo que o outro me aceite e implícita a ideia de que a alguém agrada saber que sou. É sim um jogo de vida e de espelhos, duma ampla troca de imagens e sentires, concretizando-se o processo no encaixar de afinidades, sem utilização de falácia ou astucia, antes pela prática da humildade, sinceridade e respeito, sem o que suponho nada feito.
Não quero com isto dizer que o outro me caia nos braços, patamar que a ser atingido pode ser extremamente complementar, ao permitir o toque nesse enlace entre sedutores e seduzidos e aí fundir todos os sentires em algo mais além.
Será. Aqui deixo o grito !
Seduzam-me, seduzam-me, seduzam-me...

IMAGENS

Ainda ensonado, encostei a barriga ao lavatório e, olhando em frente, lá estava o sujeito do costume, envelhecido, barba por cortar, a fazer cair sobre mim um olhar triste e inquisidor.
E, como todas as manhãs, ainda não convencido, tentei mais uma vez encontrar, no que via, o menino que por força ali se esconde e sinto pulular cá dentro e, pese embora jamais o tenha descortinado, sei que existe.
Vou dar ao espelho o beneficio da duvida, talvez não seja tão astuto como se pensa, e fico na esperançada ilusão dessa visão, quão grata me seria.
O reflectido algo acrescenta, pois fico a saber como os outros me vêm quando com eles me cruzo e não como me sinto, ficando triste por também não lhes ser possível verem este menino que não ressalta à vista mas se entretém na brincadeira com a grande panóplia de sentires que o coração à disposição lhe deixa, gerando por vezes aquela confusão e desarrumo tão normal nesses seres limpos e puros.
Ah quem me dera houvesse espelhos com coração e ternura e fielmente me reflectissem.  Dizem estar tudo inventado mas a verdade, a minha, é que ainda não encontrei um assim.
Vou continuar nesta busca que reforça a minha mansa loucura. Procuro, procuro, procuro...
Se por acaso o encontrar trarei aqui a foto. Prometo

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PELES

O homem desde há muito, servindo-se do seu engenho e da tecnologia, fabrica tecidos com que se agasalha.
Eles tem origem nos mais variados materiais, servindo o negócio e a insatisfação humana, em constantes mutações a que, por principio, apelidam de moda.
Palavra que aqui significa: isso ainda te serve, mas o vizinho já tem diferente e mais moderno, cobrindo e servindo assim outros defeitos da humanidade a que me reservo o direito de não colocar nomes.
Há contudo uma rainha no fabrico de tecido que a todos supera:
A natureza resolveu dotar o pobre homem dum tecido riquíssimo e assim a pele humana e os seus milhões de pontos sensíveis é, pelo menos sob o meu ponto de vista, a maravilha que delicia a polpa dos meus dedos e, sempre que alguém o permite, eles afloram suavemente, toda essa fantástica cobertura do corpo, acordando e fazendo vibrar esses minúsculos pontos que ao cérebro transmitem sensações inversamente proporcionais à leveza do toque.
O toque é sem duvida um veiculo de grande afecto e tolo me parece quem toma por iguais os conceitos de acariciar e apalpar.
Mas pronto, como não regulo bem, poderá ser não tenha razão.
Com razão ou sem ela, da flor faço questão, pois nisto existe amor.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

MÃES

Tenho o hábito de dizer e acreditar que o homem é descartável, enquanto homem, entendendo ser o mundo das mulheres, e desse dito tenho colhido uma diversidade de opiniões, a permitirem interessante leitura do pensamento de quem as emite e da sua postura como ser humano plantado nesta bolinha azul.
Sabendo, como sei, que quando aponto tenho pelo menos três dedos a apontar para mim, honestamente confesso,  eu próprio me sinto facilmente descartável.
Das reacções colhi uma, escrita por mulher que jamais vi, mas a quem atribuo sensibilidade e expressou a sua na medida em que entende que o mundo deveria ser das mães. Obrigado Teresa.
E aí tocou-me pela verdade do sentimento e porque olhando aqui dentro, fui bafejado por ter usufruído do carinho e da ternura de duas mães.
Uma que me trouxe à luz e tanto se sacrificou para me criar e aperfeiçoar as ferramentas do meu então débil corpo e espírito, de forma a que pudesse encarar a longa caminhada com essa panóplia de valores éticos que o seu desvelo e carinho me deixou ao partir na sua longa viagem.
A outra que me surgiu pelo caminho e,  além de mãe, foi mulher, amante, amiga e irmã e teve a coragem de me aturar umas dezenas de anos, numa época em que eu buscava algo na linha do horizonte e para lá corria, sabendo hoje que, para além daquela linha, existia apenas outro horizonte e outro, e outro ainda... e a plenitude do vazio, não havendo necessidade de tanto ter corrido naquela busca sem êxito, pois a imortalidade estava garantida com aquilo que já tinha recebido.
Depois deixou-me, chamada à longa viagem, a cumprir o que a natureza impõe.
Não esqueci porém a palavra e hoje chamo Mãe, com ternura,  àquela que me deixa partilhar dos seus tesouros, duas alminhas que, um dia, por certo, serão também chamadas de Mãe, garantes da minha imortalidade e a colher o meu sorriso lá da estrela para onde irei quando finalmente me concederem o descanso do descarte.
Para tantos amores uma imensidão de flores

terça-feira, 22 de junho de 2010

O FEIJÃO


Estar enamorado após um campeonato de vida esgotante como o meu, é algo de estranho, inquietante, talvez mesmo irreverente ou herético, por anti natura.
Porventura estas coisas parecem suceder por artes que ultrapassam qualquer mente, a confirmar o dito de que não se acredita em bruxas mas elas existem.
E o problema em questão, neste meu caso de mente racional, é tentar espartilhar amizade e amor, observando suas raízes, causas e efeitos.
Porque sim, não me enamoro dos amigos, a quem toco, abraço e beijo e deles necessito da indispensável reciproca.
Todavia o amor é por certo coisa mais intima, a pretensão louca e também irreverente de desejar unificar dois seres, fundi-los em entrega universal  e ainda fantasia mental, imaginando ser o outro aquilo desejaríamos fosse, capaz de ser capaz de trocar confidências e aberturas de alma, nem ao diabo consentidas.
E porventura a fantasia persiste, mesmo sem troca ou retorno que, a existir, complica, exacerba-se e as travessuras agudizam-se, surgindo perversos mirones que minam a relação, tais como a duvida, ciume, exclusividade, dependência, obsessão, enfim um longo séquito de malvados destruidores do afecto e da ternura.
Mas, feitas as devidas cedências, poderá suceder que esse amor então biunívoco se funda e crie uma única peça sólida e duradoura, situação quiçá rara e, não crendo nela, tenho de acreditar que existe, como no caso das bruxas.
Por mim, vou amando o amor, fantasiado, talvez por não partilhado, chegando à conclusão que o facto de não ser retribuído é a garantia de final feliz, uma vez que ao outro não é assim permitido desmentir ou desnudar a elaborada fantasia.
Ah, porquê o feijão ?
É o amuleto de dois dias em que colhi laivos de felicidade na companhia de alguém que amei (por engano) na plenitude e ingenuidade da minha fantasia.
É branco e sempre que o toco, revejo em paz esses momentos e retomo, por instantes, essas gotas de felicidade antes vividas.
Não deixem, sempre que possam, de guardar o vosso feijão.
Então isto não merece flor ?
Claro, claro, é um texto louco, mas de amor.
Ai fica.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DORMIR

De vez em vez deparo com perguntas indiscretas, que, semelhando singeleza, obrigam a reflectir sobre o nosso complicado e fastidioso quotidiano.
À questão sobre qual a situação em que me sentia mais vulnerável, pensei um pouco e respondi, naquele meu jeito de malícia e aparente fuga à resposta: 
Quando me obrigam a jogar bridge à séria e a minha linha já completou uma partida.
Todavia, superando a brincadeira, completei: quando, enquanto alma, o meu envoltório adormece profundamente, e o espírito vai vagueando por aí nas asas do sonho.
Por isso sim, prefiro dormir sozinho ou com alguém de suprema confiança, intimidade e afinidade (coisa rara neste campeonato), pois não posso permitir danos no envoltório quando regresso do devaneio astral.
Se me e permitido, direi haver outro momento de grande entrega, porventura de total abandono, provocado pelo alienante orgasmo, brincadeira da natureza.
Contudo essa entrega e abandono, neste meu caso, baseia-se essencialmente no abandono simultâneo do outro ser, naquela cena do dar e receber, na fusão da troca.
Não existe aí perda total de consciência por nesses momentos não me permitir abandonar o corpo, prescindindo dos devaneios que a dormir me concedo.
Fico presente e empresto alguns laivos de sentido ao acto, controlando se é praticado com alguém também de suprema confiança, essa confiança e amor que nos facilita uma entrega total, sem grilhetas ou rituais.
 Bom ... Chega! Vou dormir, sozinho como convém e, daqui a pouco, penso andar aí pela galáxia, como louco, talvez visitando a minha estrela de que já vou sentindo saudade..
Claro que o texto é do coração e de amores.
Porventura, houvesse espaço, colocaria aqui um montão de flores.